Veículos Elétricos | MOBILIDADE URBANA LIMPA É UMA NECESSIDADE
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20 Mar MOBILIDADE URBANA LIMPA É UMA NECESSIDADE


Jorge Pinto

CEO da CaetanoBus

Depois da revolução industrial no início do século passado, estamos hoje a atravessar neste início do século vinte e um, mais um período de profundas mudanças que nos são induzidas pelas novas tecnologias da comunicação.

Este cenário de mudança acelerada traz consigo enormes oportunidades, mas deixa também as suas feridas. Quem compra hoje um telemóvel Nokia, ou até um Blackberry, que já foram lideres do mercado há não muito tempo? Quem pensa hoje numa câmara da Kodak para tirar uma “selfie”?

O desafio que se nos coloca é então de conseguirmos minimamente antecipar as tendências do consumo, e não digo mercado porque podemos estar a falar de mercados que ainda o não são, e orientarmo-nos por essas tendências tendo sempre presente que por vezes as inflexões e os golpes de rins são necessários.

Falando agora de Transportes, neste enquadramento de mudança acelerada, uma palavra em particular para os transportes urbanos de passageiros.

É mais ou menos do conhecimento geral os problemas de poluição que afetam muitas das cidades, um pouco por esse mundo fora. A poluição tem um custo elevado, quer se trate de custos de saúde, quer se trate de custos com a degradação e manutenção de habitações e de infraestruturas. Muitos destes custos ainda não se revelaram em toda a sua extensão, mas são inevitáveis. A mobilidade urbana limpa é assim, mais do que uma opção, uma necessidade absoluta. É também uma oportunidade para as empresas fornecedoras de equipamentos de transporte.

Como aconteceu nos relógios, nas câmaras fotográficas, nos computadores e nas impressoras, nos telefones e em tantos outros produtos, é expectável que o panorama da indústria de equipamentos de transporte também se venha a alterar nos próximos anos. As empresas onde tenho responsabilidades querem desempenhar um papel importante nesse novo enquadramento, a exemplo do que fez o nosso fundador quando introduziu pela primeira vez o fabrico de carroçarias em aço em Portugal.

Temos por isso vindo a realizar um investimento importante em engenharia e na aquisição de competências, fundamental para percorrer este caminho. Temos também vindo a constituir parcerias e acordos com empresas e unidades de investigação, que nos complementam em áreas tão distintas como as comunicações embarcadas, o estudo de soluções estruturais com materiais mais leves, a segurança elétrica dos veículos e da sua produção, o desenvolvimento de modelos de análise estrutural e tantas outras.

A CaetanoBus já lançou o primeiro autocarro de aeroporto 100% elétrico, com unidades já comercializadas nos aeroportos de Estugarda e de Genebra e novas encomendas para este ano. Em 2016 lançamos uma nova proposta para o transporte urbano – o e.City Gold – que esteve recentemente ao serviço da CCFL, com um desempenho operacional bastante positivo, conforme avaliação da própria Carris.

Hoje, já possuímos uma oferta consolidada em produtos de mobilidade elétrica para cidades e aeroportos, resultado do trabalho que temos vindo a desenvolver neste campo. Os custos operacionais de um autocarro elétrico são comparativamente inferiores aos de um autocarro a gasóleo ou a gás, quer pelo custo da energia, quer pelo custo de manutenção. O Custo Total de Operação equilibra-se ao fim de um período compreendido entre 6 a 10 anos, consoante o perfil de utilização do autocarro. Estando disponíveis mecanismos de apoio à aquisição de autocarros elétricos, que minimizam o CAPEX em veículos e infraestruturas, a rentabilidade dos elétricos começa a ser evidente ao fim dos dois primeiros anos da operação.

Finalmente, esta é uma também uma enorme demonstração do potencial da indústria portuguesa. Cabe a todos nós, mas em particular ao Governo e aos responsáveis municipais, repensar o futuro das nossas cidades e apostarem na indústria nacional que tem provas dadas nesta área.

É pois, um novo capítulo que se nos abre, e que tem tanto de desafio como de interessante.

Tenho a certeza que iremos fazer parte dessa nova realidade.

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