O automóvel elétrico. Porquê? | Veículos Elétricos
20206
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O automóvel elétrico. Porquê?

Ricardo Oliveira

Direção de comunicação e imagem da Renault

Se hoje falarmos com vários patrões da indústria automóvel mundial, é provável que duas ideias sejam relativamente unânimes:

– A indústria automóvel vai mudar mais nos próximos dez anos do que mudou nos últimos 50;

– O automóvel do futuro será autónomo, elétrico e conectado.

A primeira é relativamente fácil de prever. Todo o nosso mundo vai mudar mais nos próximos dez anos do que mudou nos últimos 50 e daqui por dez anos teremos à nossa disposição, de forma comum, tecnologias que hoje parecem ficção cientíca. Em todos os domínios. E o automóvel não será exceção. Foquemo-nos, portanto, na segunda.

É perfeitamente possível fazer inúmeras e profundas reflexões sobre o futuro da industria automóvel no dia em que olhemos, na maior parte do tempo, para o automóvel como um ‘simples’ meio de transporte. Mas não é sobre isso que pretendo escrever. Quero escrever sobre a eletrificação do automóvel.

Nós últimos 120 anos, vivemos numa ‘ditadura’. Nos primeiros 100 anos, podíamos escolher ter automóveis a gasolina (e a gasóleo se tivéssemos um táxi ou um furgão). Nos últimos 15 (nem tanto), tivemos a possibilidade de escolher – vá lá – entre um automóvel a gasolina ou a gasóleo desde que, na verdade, fosse a gasóleo. Mas a verdade é que o primeiro automóvel que alguma vez existiu era elétrico. Já no século XIX fazer um automóvel elétrico fazia sentido.

O automóvel elétrico não vingou porque nunca se investiu na tecnologia de armazenamento de energia. Porque durante todo um século (com alguns percalços relativamente inconsequentes pelo meio), produzir energia foi barato. Armazenar era mais caro que produzir e, portanto, não se armazenava. No século XX, o discurso ambiental sobre as consequências que as nossas ações têm no planeta era praticamente inexistente. Hoje esse é um tema na ordem do dia quer acreditemos muito, pouco ou nada nas consequências para o planeta das atividades desenvolvidas pelo Homem, incluindo, evidentemente, a mobilidade.

Por isso, se o automóvel elétrico fazia sentido no século XIX, hoje faz ainda mais.
É verdade que as reações (muito) dominantes em relação ao automóvel elétrico ainda são: ‘é caro’, ‘tem pouca autonomia’, ‘onde é que vou carregar?’ e, por isso, volto ao início deste texto. O primeiro automóvel elétrico contemporâneo foi comercializado em de- zembro de 2010. Fez agora sete anos. Sete anos são uma ninharia numa história com pelo menos 120 anos. Mas em sete anos, as autonomias mais que duplicaram e os preços reduziram-se em 30% (pelo menos). Foram precisos mais de 110 anos para os automóveis a gasóleo, com 120 ou 130 cv, e consumos de seis litros aos 100 existissem.

E este é, mais coisa menos coisa, o padrão do parque automóvel. Não me parece que sejam necessários outros 110 anos para que os automóveis elétricos correspondam às exigências (frequentemente superiores às reais necessidades) dos seus utilizadores.

É impensável imaginar que a capacidade de armazenagem das baterias vai continuar a aumentar?
É impensável imaginar que a evolução tecnológica vai seguir o mesmo padrão de ‘termos mais e melhor por um preço inferior’?

É impensável imaginar que os sistemas de carregamento vão evoluir e que se tornarão mais rápidos e sobretudo mais acessíveis? Nada disto parece de facto absolutamente impossível se acreditarmos que aqueles que dizem que a indústria automóvel vai mudar mais nos próximos dez anos do que mudou nos últimos 50, têm mesmo razão!

 

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