Descobrir Lisboa num “estilo com facilidade” | Veículos Elétricos
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Descobrir Lisboa num “estilo com facilidade”

Escaldava o sol em mais uma tarde tórrida de verão em pleno mês de agosto quando fomos conhecer as Steez. À porta do número 24 da Rua do Ferragial, em Lisboa, lá estavam elas, em fila, com o seu preto reluzente, rodas largas, guiador estilo macaco, à espera dos próximos aventureiros. É inegável que as Steez enchem o olho à primeira vista a quem com elas se cruza, mas o espaço que as alberga é igualmente steez.

À nossa espera estava Diogo Braz, um dos gestores deste projeto. T-shirt, calções, Vans, um estilo à medida da Steez. Já em conversa, questionamos de imediato o nome. «Qualquer um dos fundadores [Miguel Lamelas e Miguel Oliveira] e dos sócios é amante de desportos radicais. A palavra em si [Steez] é muito utilizada no snowboard e é a junção de style with ease, isto é, conseguir ter estilo com facilidade».

A ideia de fazer tours em Lisboa com estas bicicletas surgiu depois dos responsáveis experimentarem estes veículos em Espanha. Da ideia à prática, foi preciso importá-las, e claro, arranjar um espaço para receber os visitantes. «Fisicamente, começando pela loja e pelo espaço, precisámos de um sítio com dimensão suficiente para acomodar as bikes e o material necessário e ao mesmo tempo receber quem nos visita. Quando chegámos aqui ao local isto era uma gruta: não havia luz, não havia chão, não havia WC, não havia nada. As obras demoraram quatro meses e foi um trabalho difícil para preparar o espaço como está hoje. Depois de arrancarmos com o espaço e com as bikes, há cerca de um mês e meio, a sensação é muito gira».

A oferta turística em Lisboa continua a crescer e os tours pela zona histórica são feitos de todas as maneiras e feitios, mas com as Steez, o sentimento é diferente, conta Diogo Braz. «Somos novos no mercado, não existem muitos veículos deste tipo, e somos uma referência no aluguer destas viaturas. Agora ao início temos o desafio de ensinar às pessoas se isto é uma bicicleta, uma mota, uma trotineta, se anda rápido, se anda devagar. Esse tem sido o principal desafio, mas as pessoas adaptam-se facilmente. Uma vez em andamento acelera-se como uma scooter, é considerada uma trotineta com motor e as regras são de uma bicicleta, ou seja, é necessário usar capacete, não se pode andar nos passeios nem passar dos 25km/h. Para já, estas trotinetas elétricas estão dentro daquilo que é permitido por lei, sendo considerados velocípedes. A única diferença é que se pode acelerar».

Quanto ao investimento inicial, Diogo Braz confidenciou-nos que «no total, entre a remodelação do espaço e a aquisição das bikes, estamos a falar em cerca de 50 mil euros». De referir que o represente oficial das Steez é a marca espanhola Citycoco. Ainda sobre a aposta neste mercado, Diogo Braz confessou que «a oportunidade de não existir em Lisboa, juntamente com o investimento disponível e com a facilidade com que poderíamos pedir as bikes, juntou-se o útil ao agradável».

E o público-alvo? «Queremos captar os turistas, uma vez que o nosso foco são os tours para conhecer Lisboa da forma mais cool possível. Estas bikes, em comparação com qualquer outro veículo, têm muitas vantagens: não param no trânsito, não é necessário pedalar, e em pouco tempo é possível percorrer os melhores sítios de Lisboa. Com a Steez é possível ir a um maior número de lugares em menos tempo, em segurança e sem cansaço», explica o responsável.

Tanto a loja como os passeios foram inaugurados no passado mês de julho. «Até agora temos tido um bom feedback de quem vem andar nas bikes ou vem só aqui até à loja ver e beber alguma coisa. Estamos num edifício com 300 anos de existência e diferente do que se vê no mercado. Estamos a crescer, cada dia melhor», orgulha-se Diogo Braz.

Diogo Braz

O negócio principal das Steez são os tours e Diogo Braz reforça que o que diferencia a marca é forma de fazer os passeios. «Tentamos sempre ter pessoas locais que possam apresentar a cidade ao mesmo tempo que mostram o que os alfacinhas fazem. As pessoas que nos visitam vêm conhecer pessoas e conhecer locais, não vêm apenas conhecer a história do que se passou nos últimos 500 anos, porque isso está escrito em todo o lado. Hoje em dia, as gerações mais jovens procuram a genuinidade nas viagens».

A Steez tem quatro passeios diferentes. Um pelos miradouros, bairros e centro histórico de Lisboa, outro pela zona ribeirinha junto ao rio Tejo, um até Belém, e o mais longo até ao panorâmico de Monsanto. Os tours duram entre 1,5 e 2,5 horas e têm diferentes níveis de habilidade e velocidade. «A melhor e mais completa das rotas é a de Monsanto, até ao panorâmico. As duas mais curtas têm sido as mais procuradas, mas as mais longas têm tido melhores reviews pelos utilizadores».

O objetivo da Steez passa por ter «a máxima qualidade dos tours», assim, Diogo Braz explica que sempre que possível, tentam realizar passeios com um máximo de quatro a cinco pessoas dentro da cidade e entre seis e sete pessoas até Belém e Monsanto. Além dos passeios com guia turístico, a Steez aluga as bikes à hora. «A primeira hora são 20 euros e a partir da segunda são 10 euros. Normalmente o renting é de curta duração, tanto pelas baterias, como pela qualidade do serviço – estas bikes não podem ser comparadas com uma scooter tradicional que é alugada ao dia. Quem vem andar de Steez é para desfrutar com os amigos».

Nesta fase embrionária do projeto, a divulgação é importante. «Temos divulgado o espaço através das redes sociais e temos uma pessoa a promover o serviço com uma bike na rua, com uma bandeira. Além disso estamos em várias plataformas de reserva», esclareceu Diogo Braz.

Relativamente à frota de trotinetas elétricas, a Steez iniciou o projeto com 17 veículos mas a expansão é o desejo dos responsáveis, se o serviço o justificar. Ainda que não sejam necessários requisitos de maior, Diogo Braz explica que «apesar de não estar legislado, aceitamos pessoas a partir dos 16 anos, ou 15 se for um pessoa alta… Normalmente fazemos sempre um teste aqui na rua para ver se as pessoas sabem andar e precisam de ajuda. Primeiro a segurança, acima de tudo».

Quanto à velocidade máxima, as Steez atingem os 25km/h e têm uma autonomia de 30 quilómetros, dependendo da forma como são conduzidas ou do traçado do percurso. Sendo elétricas, a gestão de carregamento foi outro fator em consideração no arranque do projeto. «A gestão das baterias é feita aqui na loja [por baixo dos bancos onde estamos sentados]. Ao fim de seis horas trocamos as baterias carregadas por outras descarregadas e vamos fazendo essa gestão. Para já, temos duas baterias por bike».

 

Desligado o gravador e arrumadas as notas, Diogo Braz entregou-nos a chave, um capacete e pusemo-nos à estrada (convenhamos que estávamos mortinhos por andar nas Steez!) A adaptação à trotineta elétrica foi praticamente instantânea e a experiência não podia ter corrido melhor. Apesar da largura das rodas, as Steez conduzem-se facilmente, tanto em alcatrão como na calçada. E como qualquer veículo elétrico, o arranque é surpreendente.

Da Rua do Ferragial ao Cais do Sodré foi um tirinho. Já à beira rio, e apesar do sol das 16 horas, cada aceleradela colocou-nos um sorriso de orelha a orelha. E quem por nós passou, virou sempre a cabeça para trás de surpresa e admiração. A experiência de quem as conduz todos os dias é notável: Diogo Braz conduz as Steez de pé, sentado, com os pés de fora ou até apoiados no guiador. Depois de uma breve pausa junto ao Tejo voltámos para trás (soube a pouco, claro).

O sobe e desce do percurso não foi um entrave e a potência das Steez é mais do que suficiente para percorrer as sete colinas da capital. De “regresso à base”, encostámos as Steez junto à porta, foram retiradas as baterias (por segurança) e arrumámos os capacetes. A disponibilidade da Steez foi total e depressa fomos convidados a um novo passeio!

 

 

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