Volkswagen: Carros elétricos "não para milionários", mas "para milhões" | Veículos Elétricos
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Volkswagen: Carros elétricos “não para milionários”, mas “para milhões”

Os passos que a Volkswagen tem dado na eletrificação automóvel, prendem-se com tornar elétrico ou híbrido alguns dos seus modelos. Mas tornar os carros elétricos acessíveis a todos é um dos objetivos da marca alemã e, por isso, desenvolveu uma marca 100% elétrica e conectada, a ID. Ricardo Tomaz, marketing Estratégico e Relações Externas da Volkswagen Portugal, fala-nos deste conceito e da mobilidade do futuro.

Veículos Elétricos (VE): A mobilidade elétrica é a apontada como o futuro. Várias fabricantes automóveis apresentam na sua frota diferentes modelos, alguns inclusive nascidos elétricos. A Volkswagen eletrificou um modelo (o e-golf) e outros tornou-os híbridos. Porquê destas opções?

Ricardo Tomaz (RT): A entrada da Volkswagen no mercado da eletromobilidade fez-se através da eletrificação da plataforma MQB (a mesma dos modelos de motor a combustão) – nomeadamente através do e-Golf e do e-up! – porque essa era a forma mais rápida de propor um veículo 100% elétrico ao mercado, além de serem modelos que o público já conhecia e nos quais confiava. No caso dos híbridos plug-in, foi também essa a solução escolhida, o que é perfeitamente natural dada a tecnologia: combinar um motor a gasolina para longos percursos com um motor elétrico para distâncias curtas tem sentido num modelo de série. Foi o que aconteceu no Golf GTE e no Passat GTE, cujo sucesso comercial é assinalável.

VE: Dados os primeiros passos na mobilidade elétrica como é referido na pergunta anterior, a Volkswagen apresentou recentemente a família ID. Qual o conceito desta família ID?

RT: A aposta da Volkswagen na mobilidade elétrica é, porventura, a mais forte entre todos os players da indústria. São 70 mil milhões de euros de investimento nos próximos quatro anos, dos quais 20 mil milhões só para desenvolver novos produtos. Deste plano de desenvolvimento faz parte a criação de uma nova plataforma, a MEB (equivalente à MQB dos motores a combustão) que será a base da nova família de veículos 100% elétricos, a família ID. Com esta plataforma, a Volkswagen deixa de eletrificar modelos que já comercializa e passa a lançar várias carroçarias de modelos totalmente novos: o ID. será o primeiro em 2020. Seguir-se-ão o ID. Crozz, o ID. Buzz, o ID. Vizzion. Na Volkswagen, todos os elétricos serão ID. e todos os ID. serão elétricos.

VE: Um dos atuais entraves à aquisição de veículos elétricos poderá ser o preço. Na estratégia Electric for All, a Volkswagen quer tornar os veículos elétricos acessíveis a todo o mercado. Pode pormenorizar?

RT: A estratégia da Volkswagen baseia-se no eixo da acessibilidade, de forma a democratizar a tecnologia. Não tem sentido fazer carros elétricos para milionários, tem sentido fazê-los para milhões. Esse tem sido, aliás, o posicionamento da marca ao longo da sua história: tornar a inovação tecnológica acessível ao maior número. O ID. que chegará ao mercado em 2020 deverá ter um preço semelhante ao do novo Golf Diesel que será lançado na mesma altura.

VE: A ID. Family tem por trás a plataforma tecnológica a que a fabricante alemã chamou de MEB (Modular Electric Drive Matrix). Do que se trata?

RT: Como se disse, a MEB é uma plataforma sobre a qual serão construídos os Volkswagen ID. Mas ela é também a base de um ecossistema da marca que pretende ligar todos os clientes de veículos elétricos entre si, com outros veículos e com a infraestrutura. Isto permitirá propor aos possuidores de carros elétricos da Volkswagen um grande número de serviços exclusivos ligados à mobilidade.

VE: Em Portugal, como vê a evolução da mobilidade elétrica?

RT: O mercado vem crescendo a três dígitos mas ainda não chega a representar 2% das vendas totais, um pouco mais se somarmos os híbridos plug in. Além dos efeitos de oferta – aumento da autonomia, diminuição do tempo de carregamento, redução do preço das baterias e consequente realinhamento do preço de venda dos carros elétricos – cuja evolução é muito rápida (que esforço enorme está a indústria automóvel a fazer!), é necessário que haja um contexto favorável ao desenvolvimento do mercado através de benefícios fiscais, mas sobretudo do alargamento das redes de carregamento rápido. Creio que estamos a caminhar na direção certa. Teremos que ver como reage o mercado aos recém-anunciados preços dos carregamentos rápidos, mas não creio que isso retarde o crescimento da eletromobilidade em Portugal.

VE: Algumas fabricantes de automóveis têm desenvolvido também wallbox, ou seja, pequenos postos de carregamento para casa. O que é que a Volkswagen está a fazer nesta área e o que poderão vir a fazer?

RT: Da mesma forma, com o lançamento do ID., a Volkswagen vai propor uma wallbox que permite carregar em casa de forma mais rápida e segura. E pelo que já vi, tem um design magnífico.

VE: No que respeita, por exemplo, à distribuição urbana. A Volkswagen tem também projetos nesta área relacionados com a mobilidade elétrica? Quais?

RT: Em 2019, a Volkswagen colocará no mercado a e-Crafter, um furgão 100% elétrico destinado ao transporte urbano, sobretudo para empresas de entregas com percursos pendulares. Com a família ID. é possível que uma derivação comercial se concretize, baseada no ID. Buzz.

VE: E a condução autónoma, qual a ideia da Volkswagen nesta área?

RT: O Grupo Volkswagen trabalha ativamente nesse terreno. Mas aqui a tecnologia avança mais depressa do que o legislador. Os problemas a resolver são do domínio do enquadramento legal e jurídico, assim como da questão da responsabilidade.

VE: Há ainda fabricantes de automóveis a investir em veículos a hidrogénio. A Volkswagen poderá também apostar neste meio de propulsão que poderão introduzir?

RT: O hidrogénio é um possível gerador de energia, alternativo às baterias atuais, e que não pode ser excluído das soluções futuras.

VE: A conetividade é uma das áreas que a Volkswagen também tem trabalhado. O que têm feito? Qual a importância da conetividade neste setor da mobilidade e dos veículos?

RT: Pretender desenvolver um ecossistema para a eletromobilidade, como a Volkswagen com a plataforma MEB, implica conectar veículos e pessoas. Conectividade e mobilidade elétrica andam de mãos dadas. Só assim se poderão desenvolver serviços como a manutenção over the air, o sistema de localização e pagamento de estacionamento, ou a entrega de encomendas à distância diretamente no porta bagagens do carro, por exemplo.

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