Cetelem quer fazer parte da transição energética | Veículos Elétricos
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Cetelem quer fazer parte da transição energética

O Cetelem já tem crédito automóvel dedicado à compra de veículos elétricos e acredita no crescimento deste segmento. Pedro Nuno Ferreira, responsável pela área de automóvel no Cetelem, afirma que a empresa quer fazer parte da transição energética.

Veículos Elétricos (VE) – O mercado dos veículos elétricos é apelativo para uma instituição financeira como a vossa, especializada no crédito?
Pedro Nuno Ferreira (PNF) – Sim, é apelativo. Se não fosse, não estaríamos a fazer uma campanha de 0% de juro para o cliente final, seja no crédito pessoal, seja no crédito em ponto de venda. Neste momento temos a decorrer uma campanha que é possível ser feita no crédito pessoal, na plataforma crédito direto, nos pontos de venda para os clientes que querem comprar carros elétricos novos. Acreditamos que o futuro há de ir por aí e que há uma transição energética que está a acontecer e nós queremos ser parte desse processo de transição energética. O Cetelem quer ser parte, quer disponibilizar aos clientes soluções de financiamento associadas à transição energética com durações dos contratos coerentes com a vida útil estimada dos carros que estão a ser vendidos agora, que não é exatamente a vida útil dos carros a combustão e, se calhar, não há de ser a mesma vida útil dos carros que vão ser vendidos daqui a um ano ou daqui a dois e, portanto, face à situação atual acreditamos claro nos veículos elétricos.

Pedro Nuno Ferreira

VE – Quais as principais diferenças de um crédito automóvel para veículos elétricos, comparativamente ao crédito para um veículo a combustão?
PNF – O crédito para veículos elétricos tem durações mais curtas porque um carro elétrico estima-se que pode ter uma vida útil de cinco, seis anos por causa da bateria. E também porque não sabemos como é que as baterias vão ser substituídas, nem se haverá no mercado, daqui a cinco ou seis anos, o mesmo tipo de baterias para os carros que estão a ser fornecidos hoje. Há aqui uma série de incertezas. As pessoas estão habituadas a utilizar dez anos o mesmo carro e com um veículo elétrico atual se calhar não vão conseguir. Portanto, as durações dos contratos terão de ser mais curtas, o que tem dois impactos: estes carros para a mesma gama são um pouco mais caros e as durações mais curtas amortizam em menos tempo também, logo são um bocadinho mais caras. Não quer dizer que um cliente que queira fazer financiamento de um carro elétrico a mais tempo não o faça, nós disponibilizamos essa oferta, ela tem é outras condições que não são as mesmas que tem naquela campanha específica que é uma campanha para ajudar a que os clientes possam fazer esta opção e que os parceiros com quem trabalhamos possam vender esses automóveis também.

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VE – Quanto representam os veículos elétricos no volume de créditos cedidos?
PNF – As vendas são 1% das vendas totais e se são 1% dos financiamentos na indústria estou a ser generoso. Este é um número geral. O peso das vendas de financiamentos de carros elétricos é muito baixo. Nós financiamos alguns condutores de plataformas de transporte individual de passageiros em veículos descaracterizados e alguns clientes particulares que abordam os nossos parceiros, mas é tudo muito residual. Os híbridos, híbridos plug-in e elétricos foram 5% da quota de mercado em 2018 e estimamos que, em 2019, seja de 6%. E estimamos ainda que, em 2030, estas novas motorizações representem 32% das vendas.

VE – De acordo com o Observador Cetelem Auto 2019, quais as vantagens que os inquiridos identificam nos veículos elétricos?
PNF – As vantagens são que os clientes consideram que vão ter um carro, com um custo de utilização mais baixo do que um carro a combustão. A eletricidade, mesmo sendo paga, é mais barata do que a gasolina ou o gasóleo e isso é uma vantagem. Por outro lado, os clientes têm uma preocupação em relação à ecologia. Entre os contras do carro elétrico, por exemplo está a incerteza em relação a não se saber ao certo como será feita a reciclagem das baterias, o preço, pois considero que ainda são carros caros e os programas de financiamento têm durações mais curtas. Se calhar este é um produto que se adequa a produtos de subscrição ou de mobilidade de aluguer e não de propriedade. Entre os prós e os contras de uma coisa e da outra as vantagens para nós são: há menos emissão de CO2 para a atmosfera, e sobretudo em cidade, as vantagens são enormes.

VE – Além do impacto ambiental, considera que haverá também reflexo na economia automóvel?
PNF – Sim, pode ter impacto na indústria da distribuição porque hoje em dia a distribuição automóvel está assente também nas margens do pós-venda e estes carros vão ter um consumo de pós-venda menor, isso vai ter impacto numa indústria que emprega muita gente. Os modelos de mobilidade vão mudar porque as próprias marcas estão a disponibilizar serviços, como seja a partilha de carros.

VE – Qual o perfil do utilizador?
PNF – Temos o cliente particular que quer ter um carro elétrico, que tem preocupações ecológicas. Os jovens com menos de 25 anos são aqueles que, para já, menos preveem comprar um elétrico nos próximos cinco anos. E a nível global, acompanhando Portugal a tendência, os futuros compradores de veículos elétricos encontram-se em maior quantidade entre os que têm 25 e 35 anos.
Há também pessoas que compram os carros para utilizar profissionalmente, por exemplo na Uber.

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